Talvez eu não faça mesmo o seu tipo.
Talvez você prefira pessoas menos encanadas e que levem a vida menos a sério. Embora eu não seja assim, mas talvez eu esteja esperando algo que você não pode me oferecer. Básico assim, simples assim. Não demorei pra te mostrar como eu sou, talvez até tenha metido o pé pelas mãos por ser tão ansioso em viver coisas boas, mas não deixei de te mostrar que eu sou alguém de verdade, por isso eu fazia questão de te incluir nos meus planos e ficava feliz com o seu “vamos sim” mesmo sabendo que você não iria comigo. O jeito que conduzia as nossas conversas me fez pensar que realmente eu não seja pra você o tipo de pessoa que eu gostaria de ser. E acho que tudo melhora quando começo a admitir isso. Tudo melhora quando começo a me convencer que perco muito tempo da minha vida esperando que você reaja de um jeito que talvez só eu reagiria. Eu queria te fazer rir mesmo sem poder ver o seu sorriso, queria poder acreditar nos seus “Hahahaha”, queria poder acreditar que são pra mim. Queria tantas outras coisas também. Queria ocupar mais espaço na sua vida que não só mais um nome e sobrenome nos contatos do seu chat. Queria que respondesse o meu “tudo bem?” num tom que me empolgasse pra te contar um pouco mais do meu dia, queria poder te curtir um pouco mais que só a sua foto no insta. Mas talvez eu não faça mesmo o seu tipo.

Vou te contar sobre quem sou.
Eu sou o erro na tentativa de acertar, sou o prazer em pelo menos tentar. Eu sou a boca guardada, assim tão cuidada, pronta pra te beijar. Mas sim: essa boca já foi por outras beijada. Essa mesma boca que já recolheu lágrima escorrida. É isso que eu sou. Eu sou o corpo de calor pronto pra esquentar o seu nas noites de frio, corpo pra te proteger dos pernilongos nas noites de calor, corpo pra ficar ao lado do seu. Eu sou música em forma de risada pra te fazer bem. Sou a piada sem graça mas ainda assim piada pra te fazer rir. Sou a mensagem de “cheguei em casa” pra você não se preocupar. É isso que eu sou. Eu sou mais dois olhos pra te emprestar quando não conseguir enxergar algumas coisas da vida. Eu sou um par de ouvidos pra você contar das coisas que te faz mal, ainda que repita mil vezes. Eu sou a mão que transpira no calor mas não larga. Eu sou a mão que esquenta no frio, e claro, também não larga. Eu sou a felicidade ao te ver feliz pela menor das coisas. Sou quem te manda um ” ” mas está ” ” de verdade do outro lado do celular. Eu sou a possibilidade pra te apresentar a dúvida. Sou o questionamento da certeza. Sou a pulga atrás da orelha; ela é saudável para recorrer. Sou a inquietação em te provocar. Eu sou a mão que desce a alça da sua blusa devagar. Sou também a mão na sua bunda na companhia de uma mordida no lábio. E além disso, quer saber mais? Sou a mão que passeia pela sua perna com vontade de morder. Sou a mão incansável em te tocar, ainda que em lugares públicos. Sou quem olha para cada um dos seus olhos devagar. Sou quem puxa o seu cabelo quando você está prestes a suar ou quando está ocupada enroscando sua língua com a minha. É isso que eu sou. Na verdade é isso parte do que sou. Contei parte pra saber se te interessa saber o todo. Hoje falo enquanto espero o dia de te provar.

Então vamos fazer assim:
Nos dias de frio posso preparar uma bebida quente e você escolhe o que assistir.
Me separa um espaço no sofá e a gente divide o edredom.
Nos dias de calor eu compro a água de coco e você escolhe o parque pra gente visitar.
São tantos sonhos que não tenho espaço para guardar.
Por isso vou gostar da sua companhia para me ajudar.
Por outro lado, tudo bem também se você não quiser.
Eu gosto de sonhar mesmo sem saber quando vou realizar.
Então vamos fazer assim:
A gente pode não fazer nada também.
Se ocupar com um ao outro. A gente deve se bastar.
Faz tempo que dinheiro nenhum visita a minha carteira, mas eu posso sempre te visitar.
O que eu posso te oferecer além do melhor que posso fazer por alguém?
Podemos sentar numa tarde de domingo pra eu te mostrar os sonhos que coleciono.
E você pode me contar da sua lista e dos que te faltam pra riscar.
É que eu ao dividir seus sonhos comigo eu posso dedicar forças minhas pra você realizar.
Mesmo que eu não esteja mais do seu lado.
Então vamos fazer assim:
Vamos fazer o que a gente quiser.
A vantagem de estar juntos é que assim temos mais força para conquistar.
Que seja um dos sonhos, que seja alcançar o controle remoto da TV caído no chão.
Depois me conta o que pensa sobre a possibilidade de eu não sair mais da sua vida.

A semana está acabando.
Só não acaba a minha vontade de te ver.
Você deve estar cansada, tem reclamado da rotina pesada.
E eu devo à você; que felicidade é poder contar com a sua companhia.
Conta comigo mesmo se não quiser me contar nada.
Eu posso te fazer uma massagem e te ouvir desabafar.
Prometo não reclamar do frio dos seus pés.
E quando a gente dormir, prometo não me incomodar com seu furto do edredom.
Posso escolher uns filmes pra gente assistir.
Depois de uma semana pesada acho que você gostaria de ver uma coisa leve.
Podemos terminar uma temporada nova daquele seriado.
Podemos começar um seriado novo também.
Podemos qualquer coisa.
Só não podemos deixar de nos ajudar, e se isso acontecer, deixaremos de ser um só.
Faz parte eu aceitar as coisas ruins, mas sempre prefiro as boas pra lembrar.
E hoje eu fico feliz em ser melhor tendo você.
Meu prazer é te fazer ver como também pode ser melhor, mesmo quando se sentir só.
Hoje quem precisa do melhor de mim é você.
A semana está acabando.
E se eu ligar uma música pra te relaxar?
Podemos zapear a TV e parar naqueles programas sobre aventuras na floresta.
Enquanto isso eu posso me aventurar na cozinha pra você.
A semana está acabando.
Só não acaba o que eu sinto com você.
Essas coisas assim tão pequenas são as que mais gosto de viver, e é diferente viver com você.
Gosto do jeito que eu sou quando a gente está perto.
Não gosto quando a gente não tá perto o bastante pra se acertar.
Você pegou a melhor parte de mim e mostrou que é algo bom pra eu lembrar.
A vida cobra tanto, eu me cobro tanto que às vezes fico até sem ar.
Mas a única coisa que pode tirar o meu ar é você.
Ou o jeito que sorri saudade quando a gente se encontra prestes da semana acabar.
Aliás, a semana está acabando.
Só não acaba a minha vontade de viver outras mil semanas com você.